O projeto arquitetônico para o hotel foi encomendado em 1956 ao escritório Püller, de Blumenau, que foi também responsável pela construção, realizada ao longo de 1957. A edificação seguiu padrões construtivos novos para a época, especialmente em relação à verticalização, que ainda era pouco dominada pelas construtoras. Segundo Klaus, a fachada original idealizada pelos arquitetos não agradou à família e acabou sofrendo alterações, recebendo principalmente uma extensa mansarda na cobertura, referência direta às arquiteturas alemãs.
Com seus quatro andares iniciais, a técnica construtiva adotada foi a de alvenaria estrutural, com paredes duplas de tijolos maciços nas paredes externas e simples nas paredes internas. O concreto armado foi utilizado somente nas lajes. O edifício robusto que surgia iria ser, talvez, um dos principais indícios da identidade desenvolvimentista que a cidade adotaria a partir de então, e que perdura com grande intensidade até os dias de hoje. Ao longo da estrutura principal em formato de L foram acrescidas edificações de dois pavimentos, que atendiam às funções operacionais do hotel, como lavanderia e depósito.
A fachada contava com um terraço-varanda, coberto parcialmente por uma marquise de concreto. O local era muito frequentado pelos hóspedes e se transformou em um dos cartões-postais do Hotel Fischer. Outros elementos arquitetônicos e de decoração que foram cenário de diversas fotografias foram o escorregador de concreto junto à calçada, dando acesso à areia, e uma costela de baleia, exposta nas dependências do hotel.
Nos anos iniciais os quartos ficavam nos 3º e 4º andar. Alguns deles eram interligados por uma porta, o que criava quartos conjugados, apropriados para as famílias que se hospedavam no início do hotel. Os cômodos que ficavam de frente para o mar possuíam uma sacada com um guarda-corpo, inicialmente de madeira e posteriormente de concreto.
Quando inaugurado, no dia 15 de dezembro de 1957, o Hotel Fischer possuía 26 quartos luxuosos, sendo 18 apartamentos e 8 suítes, algo “difícil de se encontrar até mesmo em Florianópolis”, comenta Klaus. Foi o primeiro hotel de Balneário Camboriú a ter banheiro em todos os quartos e tinha a capacidades de atender 108 hóspedes.
Os funcionários do hotel nessa época eram majoritariamente parte da comunidade local. Klaus conta que os homens viviam da pesca e as mulheres e filhas trabalhavam em hotéis e restaurantes.

Fonte texto e imagem: Hotel Fischer: Fotografias e Memória

Coordenação geral: Sergio Antonio Ulber
Edição: Núcleo Catarinense de Fotografia – NCF nucleocf.tumblr.com
Análise Histórica: Murilo Maluche Schaefer
Análise Patrimônio Arquitetônico e Urbanístico: Gabriel Gallarza
Análise Moda e Estilo de Vida: Caroline Santos
Análise Iconográfica: Sergio Antonio Ulber
Textos e revisão: Vinicius Batista de Oliveira
Projeto gráfico e diagramação: Felipe Gallarza
Curadoria fotográfica: Felipe Gallarza e Sergio Antonio Ulber
Digitalização: Vitor Ebel
Tratamento: Felipe Gallarza e Sergio Antonio Ulber

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