Na década de 1970, a região de Balneário Camboriú começa a sentir impactos da melhoria do sistema rodoviário, o que intensifica os fluxos turísticos. Mais próximo à década de 1980, essa estrutura se reforçou e, segundo Klaus Fischer, “foi o estouro de Camboriú”. O reflexo dessas mudanças foi a percepção da família Fischer de que o hotel havia ficado pequeno para a nova realidade turística da cidade.
Logo em 1972 foi dado início ao projeto arquitetônico para a reforma e ampliação do Hotel Fischer. O novo edifício apresentava 12 andares e ficava encostado na lateral do antigo hotel. O volume das duas edificações ficava alinhado à fachada e aos fundos. O estilo arquitetônico adotado no projeto seguia um padrão muito recorrente no início dos anos 1970, momento em que a arquitetura modernista se popularizava. No novo edifício, isso fica bastante perceptível pelas linhas retas da fachada e pela planta-baixa de desenho racionalista.
Vale destacar que, mesmo com mais de uma década de diferença entre o edifício original e o novo, as duas arquiteturas seguiam preceitos bastante funcionalistas, típicos das arquiteturas modernistas da época, e que encontravam alinhamento ideológico com a visão progressista do empreendimento dos Fischer. Tal postura era também bastante perceptível na cultura das famílias descendentes da imigração alemã do Vale do Itajaí e do estado de Santa Catarina.
O projeto arquitetônico do novo edifício do hotel foi realizado por um escritório de Porto Alegre, o Paulon&Paganelli, que o elaborou ao longo de 1971 e 1972. A construção do hotel também foi realizada pelo escritório gaúcho, ao longo dos anos de 1973 e 1974. O novo edifício foi inaugurado em 1975, marcando um momento de grande transformação nos serviços prestados pelo Hotel Fischer.
As estruturas de recepção e restaurante do Hotel passaram agora para o novo edifício, que, por sua vez, encaminhava os hóspedes para os quartos do antigo edifício, quando fosse o caso.
A partir do terceiro pavimento inicia uma série de oito pavimentos, com 11 quartos cada. Todos os quartos possuíam áreas equivalentes, e alguns deles podiam ser interligados, chamados de suítes ou quartos conjugados. O 11º pavimento consistia essencialmente pelo terraço e pelas suítes presidenciais. Ainda foi somado mais um pavimento ao projeto original, o 12º andar, que servia como residência da família Fischer. Acima desse pavimento, o hotel apresentava ainda o serviço de heliponto. Esse uso era bastante eventual, sendo pouco utilizado, mas marcou a paisagem urbana, por ter sido o primeiro da cidade.

Fonte texto e imagem: Hotel Fischer: Fotografias e Memória

Coordenação geral: Sergio Antonio Ulber
Edição: Núcleo Catarinense de Fotografia – NCF nucleocf.tumblr.com
Análise Histórica: Murilo Maluche Schaefer
Análise Patrimônio Arquitetônico e Urbanístico: Gabriel Gallarza
Análise Moda e Estilo de Vida: Caroline Santos
Análise Iconográfica: Sergio Antonio Ulber
Textos e revisão: Vinicius Batista de Oliveira
Projeto gráfico e diagramação: Felipe Gallarza
Curadoria fotográfica: Felipe Gallarza e Sergio Antonio Ulber
Digitalização: Vitor Ebel
Tratamento: Felipe Gallarza e Sergio Antonio Ulber

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