A história de Balneário Camboriú é mais antiga do que a maioria das pessoas imagina, uma vez que possui cerca de quatro mil anos. A maior parte desses milhares de anos ainda é um mistério para os historiadores, arqueólogos, antropólogos e pesquisados em geral.

A única certeza é que quando os primeiros homens brancos e de origem portuguesa chegaram aqui, estas terras já eram habitadas. Portanto, não foram descobertas, somente colonizadas. Sabemos que aqui foi o lar de homens do sambaqui, como comprovam os 165 sepultamentos encontrados no sítio arqueológico escavado pelo Padre João Alfredo Rohr e sua equipe na década de 1970, na praia de Laranjeiras. Também há indícios de Tupi-Guaranis, Carijós e Kaingangs na região,¹ pois tiveram uma presença marcante em todo o Vale do Itajaí, além dos Xokleng no Alto Vale. Usamos o verbo “ter” no passado, pois suas populações foram reduzidas drasticamente a partir do século XIX, devido aos embates com os europeus que para cá migraram, pelas políticas de branqueamento impostas pelo Estado e pela contração de doenças. Apesar da invisibilidade, essas populações ainda existem, resistem e lutam pela sobrevivência.²

A presença dessas populações na região é tão latente, que começa pelo nome da cidade e também os das cidades vizinhas (Itapema e Itajaí), todos com origem indígena. Lino João Dell’Antonio, no livro “Nomes Indígenas dos Municípios Catarinenses: significados e origem”,³ traz uma análise detalhada da origem e significado do topônimo. Ele afirma que há diversas interpretações para essa denominação, como rio que camba, em alusão ao rio. Ou seio grande em cima do morro, em alusão ao formato dos morros que cercam a região. Entretanto, para o autor: “Camboriú é termo indígena e significa rio com camboas, em alusão às tapagens que se faziam para capturar peixes nas vazantes das marés’’ (DELL’ANTONIO, 2009, p. 73).

1 LAVINA, Rodrigo. Antes dos carijós – a tradição tupiguarani em Santa Catarina vista pela arqueologia. In: BRANCHER, Ana; AREND, Silvia M. F. (org.). História de Santa Catarina. Séculos XVI a XIX. Florianópolis: UFSC, 2004, p. 27-59.

2 Para saber mais sobre a História das Populações Indígenas na região: AREND, Silvia M. F. (org.). História de Santa Catarina. Séculos XVI a XIX. Florianópolis: UFSC, 2004. WITTMANN, Luisa Tombini. O vapor e o botoque: imigrantes alemães e índios Xokleng no Vale do Itajaí/SC (1850-1926). Florianópolis: Letras Contemporâneas, 2007.

3 DELL’ANTONIO, João Lino. Nomes Indígenas dos Municípios Catarinenses: significados e origem. Blumenau: Odorizzi, 2009.

Fonte imagem: Acervo Arquivo Histórico de Balneário Camboriú

Fonte texto: Do Arraial do Bonsucesso a Balneário Camboriú: mais de 50 anos de história.

Sobre a autora: Mariana Schlickmann é doutoranda em História na Universidade do Estado de Santa Catarina, mestra em História Social da Cultura pela Universidade Federal de Minas Gerais e graduada em História (licenciatura e bacharelado) pela Universidade do Estado de Santa Catarina, pesquisadora associada do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros – NEAB/UDESC e pesquisadora associada do Instituto Cultural Luisa Mahin.

 

 

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Sobre a autora

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